sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A festa de 15 anos

O brilho do vestido laranja, sandálias que pareciam ser de pérolas raras, brincos reluzentes ao encontro das luzes frenéticas, sapatos pretos, gravatas coloridas e uma surpresa: a drag queen.
Não foi uma festa de 15 anos qualquer, apesar de achar essa celebração um tanto piegas, esse encontro da "sociedade serralitrense" (palavras usadas pelo próprio apresentador) me fez relembrar momentos jamais esquecidos nesse lugar, onde passei toda a minha infância e adolescência. É como sentir essa vivência sendo carregada, agora, pelas águas de rios diferentes. 
Na festa fiquei observando as pessoas e seus trejeitos. Por várias horas fiquei pensando que as meninas pareciam todas iguais, com vestidos similares e cabelos lisos. Senti tão diferente de todas aquelas mulheres e  em pensamento critiquei essa unidade feminina. No entanto, não percebi o quanto fui preconceituosa. Por achar que eu me destoava delas, pensei que o diferente estava só em mim. E mais do que isso, esqueci da distinção que cada pessoa carrega e suas história de vida. Enfim, aquelas roupas me tomaram, tinha como verdade só o meu jeito como o certo. 
As músicas fizeram até os mais velhos mexerem o quadril. Num ambiente tocava música sertaneja e no outro baladas, axé, funk e outros ritmos. 
Quando a drag entrou em cena - e isso na Serra do Salitre jamais aconteceu - as reações foram diversas. Alguns reprovaram aquela figura caricata, outros até tiraram fotos e se deliciaram ao som de It´s raining man! 
E no meio do meu pensamento mesquinho, percebi o quanto todas aquelas pessoas são, a sua maneira, elas próprias.
No fim, sempre é bom voltar, rever os amigos, a família e os vizinhos. Para além disso, como é importante desconstruir velhos pensamentos e partir para um novo olhar sobre as coisas e as pessoas. 


terça-feira, 26 de outubro de 2010

O menino-menina

Achei um ensaio bacana que eu fiz nos arquivos da faculdade!




Quando nascemos, somos observados pelos nossos pais, médicos, tios e vizinhos. Digamos que se tem uma análise aprofundada sobre nosso corpo como um todo. E assim, as pessoas perguntam: ele/ela é saudável? O nariz é parecido com o seu? E os órgãos genitais? É claro que a última pergunta é feita diferente, pois existem várias denominações que nós mesmos criamos para definir “as coisas lá de baixo”. Posteriormente, ganhamos roupas amarelas, azuis ou rosas. Para os meninos, se os pais tiverem certeza do sexo, o azul. Já para as meninas, o rosa. E se estiver na dúvida, o amarelo. Quantas convenções e normas, tudo isso estabelecido antes mesmo de olharmos para o mundo. Vamos crescendo, e cada vez mais, fechados em nossas roupas, nomes, papéis, com os quais nos definem por inteiro, tanto exteriormente quanto interiormente. Mas será que, por exemplo, numa pequena cidade francesa alguma pessoa, criança ou adulto fugiu da heteronormatividade imposta ao longo dos anos, desde que o homem, a mulher e a maça foram descobertas? O pequeno Ludovic, um menino de sete anos, irmão de outros dois meninos e uma menina, filho de Hanna e Pierre, tem um corpo biológico anatômico e funcional masculino. No entanto, aos poucos e conscientemente, ele se sente como uma menina que tem desejos eróticos por um vizinho chamado Jerone.

Ludovic pulou o círculo das normas, ele era uma “menina” daquelas que gostava de batom, vestidos e sandálias da avó. Numa cidade do interior, onde os homens são chefes de família e mulheres dona de casa, o “menino-menina” destoava-se da comunidade em geral, dos irmãos e amigos da escola.

Diante disso, podemos nos indagar: a normatividade é quem direciona para um não seguimento da ordem e dos costumes estabelecidos? É ela quem abre as portas para uma desconstrução e diferenciação do gênero? Para Arán e Júnior:
(...) uma “verdade sobre o gênero" revela antes uma ficção reguladora. Além disso, se para que essa ficção permaneça é necessário uma repetição reiterativa, podemos pensar que a aproximação de um ideal de gênero – masculino ou feminino – nunca é de fato completa, e que os corpos nunca obedecem totalmente às normas pelas quais sua materialização é fabricada. Nesse sentido, é justamente pelo fato de a instabilidade das normas gênero estarem abertas à necessidade de repetição do mesmo que a lei reguladora pode ser reaproveitada numa repetição diferencial (ARÁN; JÚNIOR, 2007).

Percebe-se na história que Ludovic era dispare das pessoas que estavam próximas a ele. O menino reproduz seus desejos imitando o comportamento e atitude de sua mãe e de sua avó. Além disso, demonstra a vontade de se casar com Jerome, seu vizinho. Depois que os pais perceberam sua conduta “anormal”, eles o levaram numa psicóloga. Mesmo ouvindo conselhos e afirmações dos pais e irmãos, de que era um menino, ainda sim, o garoto não compreendia seu bel-prazer. A omissão dos pais em manter um diálogo, faz com que Ludovic não entenda seu conflito interior. Para ele, seu desejo era natural. E por isso, acreditava que um dia Deus iria trazer o X que lhe faltava para se tornar menina. Dessa forma, Ludo percebe a difícil relação entre sua identidade de gênero e seu sexo anatômico. Para a família e vizinhos, esse desvio era inaceitável, pois os comportamentos do menino eram atípicos e destoantes dos padrões sociais aceitos e valorizados. A crença da família de Ludovic era baseada na sexualidade humana biológica, deixando de entendê-la como uma construção social, cultural e histórica. Diante disso, os costumes heteronormativos da família eram legitimados e enraizados constantemente. O silêncio dos parentes e irmãos demonstrava o não entendimento perante o diferente. Aos poucos, o estigma dado a Ludo percorre toda a família. Com o passar do tempo, sua mãe tenta compreender os desejos do filho e se caracteriza como ele, participando de suas fantasias.
O “menino-menina” demonstra que é possível se deslocar por entre e além das convenções. Dessa forma:
Se o gênero é uma norma, não podemos deixar de lembrar o que há de frágil na sua incorporação pelas subjetividades. Há sempre uma possibilidade de deslocamento que é inerente à repetição do binarismo masculino-feminino. Não é à toa que, como afirma Butler, expressões tais como "problemas de Gênero", "gender blending", "transgêneros" e "cross-gender" já sugerem o ultrapassamento deste binarismo naturalizado (BUTLER, APUD, ARÁN;JÚNIOR, 2006, p. 60).

A história de Ludo é ficcional. O cinema nos transporta para o mesmo ambiente do “menino-menina”, fazendo com que as cenas que aparecem na tela sejam também nossa realidade, mesmo que por algumas horas.
Assim, pode-se perceber o quão frágil são todas as normas impostas, diante dos desejos que nos invadem. 



Apaga/escreve/escreve/apaga

Digito uma frase e apago. Penso em algum tema ou algum dia especial e nada. Como é difícil escrever. Essa semana vai ser a mais atarefada de todo o semestre. Como já estou algum tempinho sem escrever resolvi dar o ar da graça. Fiquei alguns dias sem vomitar palavras, acho que elas seriam superficiais para esse blog. Mas depois pensei que o tal cotidiano precisa respirar um pouco. E que história é essa de definir o que cabe e o que não cabe!

Tenho ficado em casa com o Pessoa, um grande amigo. Sua pele é preta e branca. As unhas estão um pouco grandes e já vejo rabiscos vermelhos em minhas pernas. Sabe aqueles amigos que não param. Eles são chamados de pessoas hiperativas. Às vezes pergunto se ele não quer trocar de lugar comigo, mas ele me olha de um jeito, um tanto negativo. Imagino que a resposta deva ser NÃO.

Vou ficar por aqui. Após o feriado, volto a escrever. Vou para uma cidade muito especial chamada Serra do Salitre, em Minas Gerais. E aposto que vai chover textos. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mineiros no Chile - o espetáculo continua







Num ímpeto, a natureza responde a sua maneira o desabafo para com os seres humanos. E a vida dos 33 mineiros foi abafada pela terra da minha San José, no Chile, em cinco de agosto. O mundo inteiro e os veículos de comunicação acompanharam essa história que parecia não ter solução. Mas, quando fala-se em catástrofes, a roda coletiva não perde sua força, e deixamos para trás o individualismo que tanto prezamos por uma causa comum, a vida do outro. 


O resgate dos mineiros e toda a repercussão nos jornais, rádio, TV e internet, lembrou o famoso filme "A montanha do sete abutres" (1951), de Billy Wilder, sobre a crítica ao jornalismo sensacionalista. E pergunto ao jornalismo se existe outra forma de contar essa história de forma sensível e não espetacular?

Assim como a cobertura jornalística do 11 de setembro, nos EUA, a Tsunami, na Ásia, dentre outros episódios ocorridos no mundo, o jornalismo se vê despreparado ao cobrir tais fatos, tudo porque ele é feito por seres humanos que sentem, choram, se emocionam. Diante de uma catástrofe, até mesmo o jornalismo que se diz tão distante e neutro perde sua máscara forte. Contudo, essa emoção acaba se tornando exacerbada e a representação dos fatos vira um grande espetáculo. E o que vende mais no jornalismo está regrado ao sensacional, ou seja, da vida em risco, do sangue à morte. E quem será o culpado, o público que sustenta esse tipo de cobertura ou o jornalismo que produz tais notícias?


O reality show foi montando, quem programa as datas e o fim do jogo estão do lado de fora. O episódio dos mineiros é visto como um furo jornalístico, e dos grandes. Até um acampamento intitulado "Esperança" foi montado por jornalistas do mundo todo. Num piscar de olhos, os 33 trabalhadores da mina San José se tornam celebridades. E pensar que antes eram meros mineiros, agora estão no centro do mundo. E pergunto, será que algum jornalista contou a história desses trabalhadores antes de acontecer esse episódio? 


O espetáculo ainda continua... 



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Nenhum lugar

Como é difícil escrever, principalmente quando estamos superficiais. E me perguntou se o superficial cabe neste blog. Não sei, às vezes pareço estar tão recheada, como um bolo de chocolates em um aniversário de criança. Mas no fundo, quando me questione sobre algo, acabo percebendo que aquele equilíbrio já não é o mesmo, que o olhar mudou, está débil e vazio. Eu sempre digo e tomo como verdade que através da reflexão nos tornamos seres ativos e que de alguma forma pulamos para fora do conformismo, daquela cadeira velha que a tempos está em nossas bundas. Mas duvidar de algo ou questionar, por exemplo, sobre o lugar em que você coloca o seu namoro, família, amigos, nos causa medo, pois desse questionamento paramos em outro lugar, um sítio diferente daquele que estávamos. Dessa forma, podemos reconstruir.

Ontem assisti o filme "Comer, rezar, amar" do diretor Ryan Murphy. Algumas cenas são piegas, e como falar do cotidiano, do amor e de si mesmo sem ser cafona, brega?! Não quero fazer uma crítica ao filme, nem descreve-lo. Quero dizer que os vários temas discutidos no filme como liberdade, conformidade, equilíbrio, auto-conhecimento, casamento dentre outros, fazem parte do nosso "tal cotidiano".

Por último, preciso falar que a personagem principal, interpretada por Julia Roberts, nunca se encontrou em seu casamento, em seus afazeres cotidianos. Ela sempre parecia seus parceiros, sendo um cópia de seus gostos e crenças. Porém, ela resolve viajar e largar tudo para trás. 

E aí está a primeira lição do sábio Ketut: esteja bem com você mesmo, se conheça. Você pode viajar para milhões de lugares, ter dinheiro ou qualquer coisa do tipo, se você não estiver bem, qualquer lugar pode ser, simplesmente, um vazio. 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O problemático estado de ausência da onipresente Rede Globo na cobertura eleitoral

Por Ana Beatriz Noronha, Ana Carolina Meirelles, Natália Goulart e Raísa Geribello



Domingo, três de outubro de 2010. Dia de eleição. O dia amanheceu, como de infeliz costume, com as ruas impregnadas de papeis tomando suas esquinas, ocupando seus bueiros. O clima impreciso – céu parcialmente nublado, temperaturas categóricas, ventos inesperados - e oscilando na maior parte dos estados brasileiros parecia refletir o espírito nacional de algumas incertezas cravadas, muito embora as pesquisas determinassem já os rumos futuros.

Em todos os canais, das mais diversas emissoras - cada um à sua maneira e linguagem – via-se refletido em suas programações o cenário nacional permeado pela eleição. No entanto, a despeito de toda a cobertura, desde entradas ao vivo à debates propostos por cada veículo, a emissora TV Globo, que se destaca por sua abrangência ideológica  no país, tranquilamente reproduzia a morbidez do sempre, velho e taxativo Domingão do Faustão.  

Durante todo o período eleitoral, o telespectador de emissoras como Bandeirantes, TV Cultura, TV Câmara e Rede TV, acrescentava ao seu repertório político informações que davam suporte a reflexões sobre a conjuntura nacional. Enquanto essas emissoras entrevistavam políticos, sociólogos, jornalistas e economistas, o Faustão entrevistava Mariana Ximenes e mostrava ao seu telespectador a importância da novela no Brasil. 

Já que a esperança é a última que morre, espera-se que a mesma emissora que noticiou o movimento Diretas já, como sendo uma grande festa em comemoração aos 430 anos da cidade de São Paulo, retire o nariz de palhaço, avise ao seu público que o picadeiro será desmontado e  faça jus ao seu belo discurso jornalístico comprometido com a sociedade.

Cidadania. A gente se vê por aqui?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Olá jornalismo, tenho uma dúvida.

Olá jornalismo, aonde foram parar as histórias? Aquelas histórias de gente, de personagens que circulam incansavelmente de suas casas para o trabalho ou as fulanas que vendem verdura na rua, mendigos, donas de casa e outros (a) tantos (a) que encontramos no cotidiano. Alguns jornalistas se arriscam em ir contra o jornalismo mercadológico, padronizado, de notícias quentes. Contudo, as histórias contadas, por exemplo, pela jornalista Eliane Brum ganham espaço nas revistas ou em livros reportagens. É raro encontrar histórias da vida cotidiana nos jornais, e, se são apresentadas ao público, demonstram um caráter factual e objetivo. Nesse sentido, o jornalismo continua naquela de imparcialidade e distanciamento de seus objetos. Será esse o papel do jornalismo, o de retratar simplesmente os fatos, de se manter afastado? Somos robôs, máquinas falando de máquinas?

O jornalismo que se diz imparcial cai por terra. Um simples exemplo deslancha esse mito: quando escrevemos algo, estamos desde o início colocando o nosso olhar sobre tal assunto, fato etc. Ou seja, saímos desse lugar neutro, selecionamos de que maneira iremos fazer tal abordagem, escolhemos fontes, direcionamos a pauta.

O jornalismo é a verdade. Meus amigos, o jornalismo é pretensioso, ao mesmo tempo tão cego. Cego, porque a maioria dos jornalistas não possui um olhar de estranhamento, do sair do óbvio. O que se vê nos cadernos de cultura são cruzadinhas, agendas culturais, horóscopo e mais agendas. O jornalismo político nem se fala. Em tempos de eleição, a cobertura da imprensa parece mais um lugar de conflitos do que um espaço de debate. Fala-se, por exemplo, de escândalos anteriores e não das propostas dos candidatos à presidência.  

Você se emociona ao ler o jornal Folha de São Paulo e outros tantos que circulam por aí?  

Precisamos de histórias boas, aquelas que nos transportam para outras realidades distintas da que vivemos. Jornalistas colocam a culpa no tempo, fala-se da rapidez da pós-modernidade, das exigências do mercado, das tecnologias. Sou otimista, acredito que mesmo dentro desse mercado padronizado, podemos escrever de outra forma. Temos que reconstruir o jornalismo, e, é saindo desse lugar de obviedade que podemos alcançar outro lugar, um espaço sensível, e não mecânico. 

Eliane Brum afirma que "como jornalistas temos que ser bons contadores de histórias reais, mas para isso temos que aprender a escutá-las primeiro".





segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A liberdade de Alice - ficção


O relógio marcava duas e meia da manhã. Os passos no corredor marcavam o chão encerado de um vermelho vivo. Alice parou, e num momento reflexivo, pensou se entrava no banheiro ou não. Ela estava com o pacote no bolso, mas decidiu continuar. Quando chegou em frente a porta de seu quarto, leu uma frase que ela mesma escrevera - "Nada mais continuo do que andar". Então, a adolescente de cabelos pretos, magra e braços brancos, voltou ao banheiro, olhou-se no espelho e criou coragem. Tirou o pacote da calça jeans apertada, alguns resquícios caíram ao chão. O nariz pontudo se aproximava da pia branca e num ímpeto, a porta tocou. Ela interrompeu sua atividade e perguntou quem estava incomodando, era sua mãe querendo fazer suas necessidades humanas. Alice pediu que a mãe a esperasse. Encheu os pulmões, respirou fundo e tacou pra dentro aquele pó esbranquiçado. Lavou o rosto e saiu apressada sem olhar para trás. 

Alice nunca tinha tido tal experiência, mas, naquela semana resolveu se aventurar num mundo que ela considerava lúdico, mesmo sem saber se o era. Quando entrou no quarto, a mãe estava saindo do banheiro. Bateu a porta e deitou na cama dura. O quarto não era tão bonito. A escrivaninha de madeira ficava ao lado do cabide, onde colocava suas roupas sujas e algumas bolsas. O guarda-roupa era pequeno e bagunçado, não tinha espaço para mais nada, ao não ser os livros que ela tanto  cuidava. Passado quinze minutos, Alice sentiu suas mãos como nunca sentira antes e começou a fazer formas geométricas com os dedos. Depois fora a vez das pernas. Ela girava na cama incansavelmente como uma criança ativa. A testa estava suada, Alice abriu a janela, a casa tinha dois andares, embaixo a sala, cozinha e a lavanderia. Em cima, o banheiro, o quarto dos pais e o seu. 

As pernas e os braços não paravam, Alice dançou em círculos, se fantasiou com algumas roupas que achava diferente daquelas que usava no dia-a-dia. A janela ainda estava escancarada. Então, ela pulou.




Entre no site: www.stereomood.com 
Você pode ouvir músicas de acordo com a ocasião em que se encontra. Por exemplo, cozinhando, fazendo amor etc. Aproveitem!



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Os vários "Brasis" da Banda Brasis

É como estar em todas as partes do Brasil. 
É sentir o gosto das cores vindas das camisetas coloridas.
Uma explosão de nós e da arte!

A Banda Brasis, da Paraíba, abriu na segunda-feira (20/09)  mais um dia do XIV Enearte na Concha Acústica em Ouro Preto. O frio não deu trégua, imagine só sair da Paraíba e encarar a noite dessas bandas de cá. 

A Brasis surgiu em 2009, tendo como repertório releituras de canções tropicalistas. No início, o grupo participou do tradicional "Festival Canta Torre" e do "Circuito Cultural das Praças". A partir daí, a banda começou aparecer no cenário da música popular de João Pessoa. Rafa Araújo (vocal), Milena Medeiros (violão), Eliza Garcia (bateria), Katiusca (percussão), Goes (contrabaixo) Igor D´Angelis (guitarra), Diego Souza (cello) e Marina Pessoa (malabares e figurino), fazem parte do grupo. 

A banda me fez sentir que podemos, através da música, resgatar os vários "Brasis" que temos dentro de nós. E não somente por meio das canções, mas também do figurino recheado de cores, como uma paleta de um pintor. Na Concha Acústica do campus da Ufop, uma miscelânea de ritmos se fez em meio a uma tenda de circo colorida. Imagino que a batida do maracatu, o groove, a ciranda dentre outros elementos, vão ficar enraizados no palco e em todo ambiente. 


E mais do que um resguarde a tradição brasileira, a banda transcende a essa tradição, no sentindo de reconstruir e traduzir a cultura de uma maneira própria e singular. 


No meio do show, uma roda orgânica recheada de gente do Brasil inteiro se configurou. Lá estava o fogo, reluzindo nos olhares atentos de toda aquela gente. Os fotógrafos alvoroçados clicavam ferozmente suas máquinas. O fogo criou desenhos no ar, e por um momento, senti medo daquela luz que chegava  próxima aos meus olhos. 


É como estar em todas as partes do Brasil. 


Conheça a Banda Brasis pelo site - www.myspace/bandabrasis

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Se não fosse a palavra...

O tal cotidiano é uma terapia pra mim! Aproximo cada vez mais da palavra, em seu sentido amplo. Quando iniciei minha terapia, a primeira coisa que a Lú (psicólogo) disse: "vamos trabalhar com a palavra". Fiquei com essa frase na cabeça, mas não entendia o sentido para além do literal. Depois de alguns meses, percebi o que ela queria me dizer. E aí, digo sempre para meus amigos e qualquer pessoa que converso - PALAVRA É AÇÃO. 

Depois de vários meses fazendo análise, entendi o quanto as decisões e escolhas são importantes. Até na padaria você tem que decidir entre um pão branquinho e outro mais escuro, dentre outras coisas do cotidiano. A palavra, então, era o primeiro passo. No ano passado tive que tomar remédios para depressão, algumas pessoas diziam - a Natália, aquela que sorri o tempo todo?! Pois bem, dizem por aí que essa é a doença do século. 

No início, tinha várias crises, hoje não me lembro muito bem como eram e nem o que sentia, acho que fiquei inconsciente por quase um ano, fora de mim.  Nunca tive vergonha de contar o que tinha, porque se eu falasse para as pessoas, e foi isso que fiz, acreditava que elas podiam me ajudar de alguma forma. Então, fazia questão de FALAR, não para sentirem pena de mim, mas para eu aceitar a minha condição. Porque é preciso até que se aceite a depressão, para depois disso, tentar supera-lá.

Não faço mais análise, e por isso digo que esse blog é uma terapia, aqui posso falar, contar coisas do meu dia  e de outras pessoas que me cercam. A ação está aqui, a palavra percorre universos distantes, ela vai para outro lado do mundo, ao mesmo tempo em que está tão próxima - diante dos seus olhos agora.  

A partir de hoje vou deixar dicas de blogs para vocês! No site do jornal Folha de São Paulo tem os blogs da FOLHA. Hoje dei uma passada no blog Assim como você, de Jairo Marques! Aproveitem!
 


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Meias palavras

Uma ciranda se fez em meio a um desconcertante chão desnivelado. Não era um círculo qualquer. Num domingo frio e calmo, o samba comeu solto num palco montado em frente ao Museu da Inconfidência - Ouro Preto. As músicas pareciam agradar um bocado de gente, algumas sambavam, outras remexiam os pés discretamente, eu estava no meio termo. Aos poucos, a banda "Vira Saia" ganhou a confiança do público. O vocalista (Tuca) tocou uma música que falava sobre ciranda. Então, ele pediu para montarmos uma roda. Imagino que tinha cerca de  100 pessoas assistindo o show. Num piscar de olhos, lá estava a grande ciranda, orgânica e entrelaçada de cores fortes.



Não participei do círculo, mas senti uma energia um tanto divina vinda do meio da roda. Eu e Lorena falávamos que lá dentro tinham escravos pulando e tocando seus instrumentos, deviam estar comemorando a "liberdade". Havia espíritos de todos os tipos. Nós estávamos circunscrevendo o baile daqueles que não podemos ver, apenas sentir. 


Engraçado, não consigo continuar esse texto. As vezes as palavras não conseguem transmitir tais momentos, e, esse, é um deles. 

Só mais uma coisa, isso só acontece, dessa forma, em Ouro Preto.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Uma história real - A menina que sempre foi gente grande

Como prometido, eis uma parte da história de Regina Correa, moradora do Morro do Santana. Em outubro vocês vão poder conferir toda a história na revista VIDE-VERSO - uma produção do curso de Jornalismo.


Estou de volta, no feriado prometi ficar um tempo longe dessa máquina preta. Mas, o Tal Cotidiano não pode parar! 



 “Eu era danada pra colar”, ela diz. Os olhos pequenos e castanhos se fecham, o desenho das rugas aparece no seu rosto e ela solta um sorriso comprido. Regina Correa não era muito boa em matemática, as contas eram rabiscadas na carteira que ela mesma carregava. A escola era na casa de sua professora em São Luís do Maranhão, cidade onde nasceu. Estudou até a quarta série, porque a escola não tinha uma estrutura adequada. O pai era poteiro (fazia filtros de barro), a mãe, dona-de-casa. A casa muito simples era feita de palha, raramente chovia, mas quando a chuva caía, a água encobria até os joelhos.
Com nove anos Regina saiu de casa, a mãe Isaura estava com 38 anos; quase a idade de Regina hoje, 37. De São Luís do Maranhão foi para o Rio de Janeiro estudar e trabalhar, depois partiu para Belo Horizonte. Sua profissão, com nove anos de idade, babá. Desde pequena a palavra responsabilidade andava com a menina, que queria ser livre e ganhar seu próprio dinheiro. A cicatriz de aproximadamente quatro centímetros perto da sobrancelha esquerda é um reflexo da busca por asas grandes.
Quando já morava em Ouro Preto (MG), ela queria a todo custo trabalhar, porém sua “avó postiça” dizia que ela tinha tudo. Regina não aceitou, logo arrumou um emprego em casa de família, e quando estava lavando a escada, caiu. A marca nunca mais saiu do rosto. Com voz de protesto ela conta “eu sujava a casa onde morava para as empregadas arrumarem e minha “avó” achar que elas não estavam limpando direito. Eu queria trabalhar no lugar delas e ganhar meu dinheiro”.
Faz 22 anos que Regina não vê a mãe; a caneta e o papel são o único meio de comunicação. As cartas e as fotos ajudam a lembrar da família. Hoje, sua mãe está com 62 anos. Sentada no quarto pequeno, ela encosta-se à cabeceira da cama de um dos cinco filhos e mostra a fotografia da mãe que parece ter 40 anos de tão conservada. Também apresentei para ela as fotos do meu pai e de minha irmã. Nas cartas enviadas pela mãe soube que teve dois filhos gêmeos, mas Regina não conhece nenhum e não lembra muito bem dos traços dos outros irmãos que ficaram em São Luís do Maranhão.
Regina não para de falar. Às vezes, fala olhando para o quintal que está de frente para a cozinha; mas na maior parte do tempo, olha fixamente pra mim.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

No palco

Abrir a boca, relaxar, rodar, sentir a voz, fazer barulho, mexer o diafragma, esse é o segredo para colocar a voz no seu devido lugar. Estou fazendo uma oficina de rádio no SESI que começou quarta-feira! 
O palco foi todo nosso. E claro que antes de dar início as práticas, não pude me conter, fiz logo uma graça no palco - uma passo de balé. Depois, agradeci a platéia vazia.
É tão prazeroso sentir o próprio corpo, reconhecer seus limites e extravagâncias. Acredito que quando sentimos cada parte, inclusive a voz, partimos para um outro universo, aquele que só você entende. 
Primeiro, fizemos vários exercícios com a voz, alteramos a intensidade, o ritmo, o timbre. Ouvia-se vozes um tanto agudas, ora graves ou finas e grossas, como costumamos dizer. No início, fiquei um pouco nervosa, mas depois meu corpo estava completamente relaxado. 
No final, fizemos um círculo marcando o ritmo com os pés. O som começou a se desenhar em cada pisada no chão, até os professores entraram com suas pernas experientes. Entre passadas leves e fortes, cantávamos como crianças livres. Cada marca de sapato registrava uma identidade diversa que se misturava com outras, criando um compasso harmonioso de gente. Batemos palmas, agradecemos o mestre. 
Depois que terminou, passei na secretária do SESI e perguntei sobre a dança contemporânea. Me deu sede de palco!






terça-feira, 31 de agosto de 2010

Simples almoço

Cardápio do dia: blanquette de veau, de sobremesa - creme brûlée. Hoje acordei cedo, marquei um almoço em Ouro Preto. Imagine um restaurante repleto de quadros sobre o Renascimento e outras artes, cadeiras envernizadas de um marrom velho, um jazz refinado de Miles Davis, três relógios dourados daqueles que os números saltam o vidro, azeite da Grécia, taças verdes, vinhos e uma recepção de dar gosto. Os pratos brancos eram enormes, no entanto, pouca comida como manda os bons costumes. 

Camila Emílio ainda não tinha chegado, mas Beatriz (jornalista), Grasi (atriz) e eu, já estávamos lá esperando a arte-educadora aparecer. Próximo ao restaurante, via-se o departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto, porém, não tinham muitos estudantes desse curso almoçando. Acho que eram engenheiros, biólogos, farmacêuticos ou coisa do tipo. Pelo menos foi a impressão que todas nós tivemos. Aguardamos mais um pouco e Camila chegou. Perguntei para ela: 
_ engraçado, esse restaurante sempre fica lotado? 
E ela respondeu num tom irônico: 
_ agora deu pra ficar assim, cheio de gente.

Achei estranho, mas não quis prolongar a conversa. Estávamos morrendo de fome, e nessas horas, não é bom ficar questionando sobre, até porque algumas pessoas quando sentem muita fome ficam estressadas. 

Camila sentou e logo pedimos o cardápio. Escolhi um vinho do Porto, Grasi tomou um suco e Beatriz como de costume, pediu um chá gelado de limão. Na mesa, falávamos sobre teóricos das artes, posteriormente, sobre a convergência das mídias (tema atual nos estudos do Jornalismo).  Neste momento, Beatriz tagarelava e tirava fotos para registrar aquele momento.

Parecia que estávamos em um mirante, da janela do restaurante se enxergava as montanhas lá embaixo e várias casas irregularmente dispostas.

Senti algo estranho, como um colapso de memória. Parecia não pertencer aquele lugar. O vinho já não era mais vinho, senti um gosto de coca-cola. O blanquette de veau se transformou em: arroz, feijão, batata e, novamente, feijão (só que branco). O suco da Grasi era suco, mas daqueles vagabundos e o chá da Beatriz nunca existiu. Não somos jornalistas, atrizes ou arte-educadoras, apenas estudantes. O restaurante não era o mesmo das primeiras linhas desse texto, mas sim, o RU (Restaurante Universitário) da UFOP. A fila rodava quarteirões.

Depois do almoço fomos para o mirante. O ar carregava cheiros, sorrisos, lábios. Aquele ar que compartilha vida.

Esse foi meu dia, um simples almoço!



  

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Para além do que é mostrado




O final de semana se resumiu em duas palavras - Ouro Preto. Uma cidade cercada por montanhas e, junto a elas, histórias que permanecem de geração em geração. Costumo dizer que Dom João VI e seus filhos ainda caminham por entre os becos escuros com seus cavalos brancos, e mais, que as pombas nunca morreram, são as mesmas vindas de Portugal. Quando ando pelas ruas, me sinto um flauner - um "vagabundo" expressão usada por João do Rio em, A alma encantadora das ruas) - sem lugar. É engraçado olhar para as casas, museus e igrejas, pareço não pertencer a nada. Uma confusão de séculos, revoluções e sofrimentos.

O agora de Ouro Preto se mistura a lan-houses, bares, cafés, restaurantes pomposos, estrangeiros, jóias e o outro lado da moeda, esquecido pelos reis democráticos, nem sequer é lembrado.
No ano de 2008, quando iniciei a faculdade de Jornalismo, fui ao Morro do Santana fazer um trabalho sobre o Festival de Jazz. Entrevistamos mais de quinze pessoas, poucas delas sabiam sobre o evento, que nesse mesmo ano teve apresentações gratuitas em lugares bastante conhecidos. Nos questionamos: para quem é o festival?

O fato é que, estamos naquela de "alta cultura" e "baixa cultura", ou seja, uma fragmentação banal da cultura em "elitista" e de "massa". 

Não quero tornar esse blog um lugar acadêmico, por isso paro por aqui com esses termos!!

Na verdade fui ingênua em acreditar no vídeo que o festival exibia todos os dias durante o evento. Não me lembro de uma frase específica dos entrevistados, mas recordo que era um discursinho do tipo - o festival é para todos, para a comunidade ouropretana.


No final, penso que o "Tudo é Jazz" de 2008 me trouxe tanta GENTE. Uma delas se chama Regina Correa, moradora do Morro do Santana. A história de nós duas ainda está em construção, acredito que sempre ficará assim... 


O próximo texto vai ser sobre ela "A menina que sempre foi gente grande"!







sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Esse blog vai ser diferente


Ontem o dia foi célere. Na verdade, estou numa seqüência de tarefas, projetos e reuniões. O trabalho me deixa num estado, digamos que de estabilidade, não no sentido "econômico"! Essa ocupação cotidiana faz com que eu esqueça, um pouco, de confusões interiores. De qualquer modo, quando volto pra casa a noite, vem a tona aquele desequilíbrio, uma dor profunda, daquelas que corroe os ossos. Já dizia Virgínia Woolf - "o acordar é o que nos mata".



 Depois da aula, resolvi alugar um filme, una película tranquila, intitulado - Julie e Julia, para não sair de casa. Têm dias que o meu lar parece um albergue, daqueles poéticos com cores vivas, toalhas floridas, quadros e músicas. Quando estava no Rio de Janeiro, no final de 2009, fiquei num albergue bastante lúdico, no bairro Catete (não lembro o nome), parecido com essa casa em que me encontro. Volvendo ao filme.

 A história é sobre duas mulheres que vivem tempos distintos. Uma delas chama-se Julia - cozinheira famosa que vivia em Paris com seu marido, no ano de 1949. A outra, Julie - personagem forte e sagaz, que quer ser Julia, a "celebridade da gastronomia". No entanto, Julie, mulher simples, divide seu trabalho entre ser secretária em uma empresa e cozinheira nas horas vagas. Ela cria um blog para contar seus testes na cozinha e também o seu cotidiano. De início, o blog não é seguido por ninguém, ao não ser pela sua mãe. Posteriormente, as páginas lotam de comentários dos internautas. Enfim, as personagens vão se entrelaçando, cada uma em seus respectivos contextos temporais e sociais. Ora as cenas se fecham na vida de Julie, ora na de Julia. O gosto pela comida, o cheiro que parece invadir a sala, paladares aguçados, e principalmente, o trabalho, são retratados no filme.

 Não vou contar o final, até porque dormi um pouco antes de aparecer o the end

Mas, o exemplo citado cabe bem, pois ontem senti a mesma sensação (imagino) que Virgínia, quando escreveu a frase que citei no início desse texto: "é o acordar que nos mata". Alguns meses atrás, essa frase andava comigo. Sentia dificuldades para escovar o dente, tomar banho, café da manhã, ou seja, a rotina maldita. Porém, o filme me instigou de tal maneira, que acordei com as seguintes palavras na testa, eis aqui as danadas: trabalho, vida, amor, "o acordar é o que nos faz viver". Foi incrível, a dor de acordar foi embora, como nuvens apressadas. 

No fim, me perguntei, por que doe tanto? Que medo é esse de viver e enxergar o globo lá fora? Por que não viver como Julia e Julie, amando suas funções cotidianas, tendo o prazer de levantar e olhar a vida de outra maneira?




quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Eu encontrei aquela beleza exótica
mistura fina de menina e mulher

seios delicados
sorriso aberto para o mundo

dentro do quadrado eu olhei...

na parede, um quadro azul, alguns instrumentos tribais
na janela, pinturas que não sei de quem são
fotos desorganizadas
uma cama de madeira fraca

no chão, papéis de todos os tipos, sapatos, malas
na estante, livros acadêmicos

novamente no chão frio, um colchão...
há quem diga que dormir no chão não é bom
mas eu gosto...

sábado, 24 de julho de 2010

(co)rroendo

tem uma coisa aqui dentro da barriga,

parece um rato... ele passa a unha devagar

d



va

g

ar

pode ser que esse bicho seja um amor daqueles ferozes, ou não...

a pele apresenta minha nova barriga, digamos que chegou a hora da transição.

 mesmo tendo uma rua plana, o tal desequílibrio me assombra.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

As formigas começaram a sair de suas casas para ver o sol.
Com pernas de agulhas, elas foram caminhando devagar.
A estação marrom estava pronta para receber as famílias que, aos poucos, descarregavam suas
bagagens adocicadas. Algumas tinham mais, outras menos. Um desequílibrio sem fim.
O trem damasco se encontrava na plataforma B.
Aos poucos a escada rolante, os banheiros e as filas ficaram entupidos.
Lá de cima se enxergava o tabuleiro de damas do tio Zeca. As formigas, o preto, os doces, o branco.
A montanha alta era o meu lugar.
Tão superficial e vazio.
Tão sem ação.
Depois de olhar aquelas loucas, resolvi descer.
Foi incrível.
Algumas não tinham visão. Mas, as formigas que conseguiam ver auxiliavam as outras.
E assim, decidi ficar para ver os milhares de  olhos, mesmo que estes não carregavam o poder da divindade funcional.
Eu vi todo aquele cartesianismo morrer.
Eu vi aquela aura mêcanica ir embora.

terça-feira, 13 de julho de 2010