segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Do começo ao começo

                                                                            Cada lugar  é, à sua maneira, o mundo  (Milton Santos)        








Da minha história ninguém me tira, o narrar é meu. Tem história que vira história única.Explico-me: a África foi e ainda é história única (selva, pobreza, selvagens... e vai por aí), Argentina (tango e tango) Brasil (samba, futebol e futebol).  E pergunto, quem escreveu a nossa história, a história dessas ex-colônias? Nós sabemos quem foi John Kennedy, e qual é o atual presidente da Costa Rica? Eu não sei.  Sabemos mais de Napoleão ou Simón Bolívar?
De modo que, por detrás dessa história única tantas outras ficam a mercê. O problema é que faltam pedaços.


"Os estereótipos não são de todo falsos, são incompletos"


Saí sozinha. Eu tinha uma única certeza: minha história de vida. O que se leva na bagagem? Memórias e toda uma vida. Saber contar minha história significa para mim estar no mundo, fazer parte dele e de outras tantas histórias.

Histórias tem haver com experiência, lugar, infância, comida, gente, cachorro, pé de amora... medo. Quando eu era criança fazia as malas e dizia para minha mãe: vou embora. E ficava ali perto da porta, mas logo voltava. O medo sempre esteve tão perto de nós, é como um avestruz que esconde a cabeça ali. 





Passado é coisa divina. Passado sempre está. Passado foi o último ponto que eu coloquei antes de começar outra frase. E agora já não sei. Passado é tanta coisa. 

Tive medo quando pisei no concreto. Concreto é coisa desconhecida. Cheguei de ônibus na Argentina. Cheguei por terra. Fui buscar, eu tirei a cabeça, literalmente. Medo é coisa que vem e vai. Ele foi também, igual a mim.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Eu fico tonta quando giro e você?


Eu queria, nesta exato momento, estar ao seu lado. Cheirar os teus cabelos como no futuro, um futuro próximo. 

Eu arrepio quando você fala: é como um vento que trota fazendo cócegas, querendo passar e deixar vestígios.Eu não sei, sinceramente, por onde andei, mas eu, eu, eu tenho você em todas essas viagens malucas, essas rodas abertas. A gente tem esse dom de girar. Eu fico tonta quando giro e você? Já faz um bom tempo que não ando em roda gigante. Tenho medo de girar e ficar ali num círculo contínuo.Pra quem gira o mundo é tao pequeno. É assim. 

Eu queria contar a minha história pra você, como da primeira vez. A minha história está maior,  já passaram tantas em mim e  surgiram outras tantas. O vento é tao ele, tal como ele. Você já é uma mulher, mas nós sabemos que as mulheres que habitam nossas veias estão por surgir. 

A distância de maneira alguma nos separou, tão pouco nos colocou fronteiras reais ou imaginárias. Não criamos histórias, não fomos dramáticas na hora da partida. Eu me permiti sair, você deixou e eu senti que você queria ficar. Eu sai com medo de te perder, no entanto, foi um sentimento muito passageiro, daqueles que não alcançam nem um fio inteiro de cabelo. 
Eu sei das suas esquinas e você sabe das minhas. É sentir um perfume particular misturado a outros, e você está ali, no meio de tantos. Eu nunca perguntei pra você quais são os cheiros que te fazem perder a cabeça. Talvez seja um pouco ácido caindo para o doce ou partindo para um damasco amendoim. Lembrei de um cheiro que te faz perder as estribeiras: cheiro de torta de limão, desse eu tenho certeza. Quizá seja cheiro de vinil da década de 70 ou cheiro de "Queridos Amigos". 

Nós tivemos uma fase de avestruz: enfiamos a cabeça, literalmente. É tão difícil esquecer as histórias, e mais, olvidar das nossas é impossível. Eu quero guardar todas elas, bem lá no fundo. Isso não significa esconder-las, pelo contrário, queremos revive-las todos os dias, no levantar dos olhos, no fazer das sobrancelhas. 

As vezes me sinto tão perdida. Uma palavra tua e já me acho. É incrível. 
Que sorte a minha, eu te encontrei no meio desse formigueiro mundial. Os encontros não acontecem todos os dias. Encontros de alma. Eu tive poucos ou muitos, depende de onde está e como está. 

Quero fugir com você para o lugar mais alta do mundo: não imaginei o monte Everest e nem os Alpes suíços, pensei nos teus olhos, únicos olhos. 

Fevereiro bate a porta e a primavera é triste sem você. De modo que combinamos um lugar, um horário, uma data, algo matemático. Isso não nos apetece, o relógio então. Nem me fale em relógio, estou por aqui...

Nos encontramos de supetão então, mas, por favor, o sol deve estar radiante.  

    


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

El norte argentino


Mais uma exposição: Centro cultural Dardo Rocha, La plata.
Data: 20, 21 e 22 de outubro.

"A los pueblos se llega; a las ciudades se entra" (Martín Caparrós, El interior)














quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Si es por buscar, mejor que busques






Me defino agora: sou passado. Minha voz mudou e meu cabelo já não sei.
Mais é que o passado está em quase tudo que falo: rua silenciosa, carroça carregando frutas, vizinha saindo de casa as cindo da manhã, avião-pássaro, pé de amora que sujava minha roupa e minha mãe faltava me matar, passar anel, futebol, cachoeira, primeiros namorados.
O passado bateu a porta e ele veio que veio sem pedir licença. Entendo o seu desespero: há que cutucar coisas, há que estourar balões, há que remexer o feijão preso a panela.


Os mineiro têm fogões de seis bocas e os paulistas de quatro. Minha mãe falava algo assim: "tanta panela, tanta mistura, esses mineiros. !Silvana! como você quer emagrecer com esse fogão de seis bocas na cozinha e tem muita gordura nessa comida".


Tenho lembrado, tenho lembrado.
E é tão forte, uma dor no peito. Ele tem me rasgado e é tão bom.


Em que canto, nesses lugares que passei, você fugiu de  mim ingenuidade?
Ó minha mãe, o que você tem feito nessa cidadezinha de Minas Gerais?


"E nós, mãe.
Aquilo que eu não fiz e tudo quis.
A tarde igual, pelo sinal.
A minha voz na dela e a tarde doe."


Eu sei que você, minha mãe, não vai a igreja da matriz. E sua coleção de orquídeas? Elas têm escutado sua voz no corredor?
Sinto sua falta e já faz tanto tempo que eu sai pra correr perigo nesse mundão de Deus, né mãe.
E você gosta tanto daquela música "Tarde em Itapuã" e eu escuto agora e canto alto.
Estou buscando, minha mãe. Parece uma busca sem fim, sem tempo pra beber água.


Si es por buscar, mejor que busques (Martín Caparrós - "El interior")

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"Pon un foto en la calle"


Confira minhas fotos selecionadas para a exposicao "Pon una foto en la calle", em La Plata, Argentina.
Local: Plaza Moreno
Horário: de 10:00 ás 18hs.
O evento será realizado pelo fotográfico platense, Marcelo Martinez, Top Color e municipalidade de La Plata
     Tema: "El cotidiano en tierras porteñas"














segunda-feira, 16 de maio de 2011

A roda, roda.



                                                     Roda Gigante, Natália Goulart
                                                                                           
Roda, roda gigante.
Roda que essa é a sua função.
Roda para trás, para frente.
Roda porque alguém vai entrar na sua roda.


Mas roda devagar.
Por favor, roda tranqüila.
Roda porque te pintei com pastel.
Roda porque te fiz num dia bom.

Roda, porque se não for a sua roda, o que haveria de ser?

domingo, 15 de maio de 2011

A biblioteca

Encontrei um lugar ótimo para escrever minhas crônicas, estudar e fugir do frio - a biblioteca da Universidade de La Plata. 

O silêncio reina por aqui. Escuto apenas as teclas barulhentas do meu computador cheio de plumas, o mudar de páginas dos leitores ferozes por livros e o leque da funcionária que anota os dados do entra e sai de gente. Quando cheguei, uma mulher mais jovem, morena e simpática me ajudou a conectar os cabos e a internet, depois apareceu outra, uma loira e um pouco sem paciência, agora, a protagonista usa óculos, é mais velha e tem um arco no cabelo.
Há pouco entrou um homem sério, barbudo e de óculos pequeno. Ele pediu alguns livros que não tenho a menor idéia de quem sejam. As páginas estavam tão velhas que os livros desmancharam em suas mãos. Talvez ele seja um historiador, um jornalista ou um físico, talvez faça uma biografia de algum homem importante do século XIX, talvez queira relembrar o positivismo. Ele ainda está aqui, concentrado e um pouco preocupado.
O teto é alto e branco, tudo é exagerado. Os móveis que aconchegam os livros são antigos, no entanto, ainda conservam sua beleza e brilho.
A mesa é espaçosa, as cadeiras são macias e estofadas de um couro verde escuro. Há também uma luminária verde que combina com as cadeiras, sua cor passa pelo cobre e chega ao grafite, resolvi chamá-la de retrô.
Não me arrisquei a pedir nenhum livro, tenho saudade do meu computador, que, aliás, não tem nada em comum com a biblioteca.
Agora o homem de óculos saiu com um papel pequeno na mão, ele deve ter encontrado algo que salve o mundo ou que nos deixe aqui, no mesmo lugar. 


domingo, 3 de abril de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

Outra vez




Eu quero mais é derreter, solidificar outra vez. Derreter e...
Eu quero entrelaçar em sua saia e não sair mais, ao menos que você me coloque pra fora de suas flores.
Eu quero sentir tudo outra vez.
Seu olhar é tão volátil. 
É impossível saber. 

Suas pernas me dizem muito, você gosta de andar por aí, assim como eu. 
E se a gente tomar um sorvete. Podemos também deitar na praça e olhar o azul sem fim.
Ou talvez nos olhar.
Eu quero apenas caminhar com você por La Plata.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Na garupa

Atravessei a cidade na garupa de uma bicicleta. 
Depois de quase dez quadras comecei a sentir dores na bunda e nas pernas.
Era noite quando saímos de casa. Os carros ainda estava circulando. As pessoas caminhavam de maneira acelerada depois de mais um dia de trabalho. 
Passamos pela catedral e logo em seguida adentramos a praça Moreno. 
As crianças brincavam de esconder, e como de costume, algum adulto seguia seus passos, demonstrando  proteção.
Uma criança passando perto de outras crianças. Há quanto tempo não pegava uma carona tão infantil?. 
Saímos de uma reunião e conversávamos sobre projetos de vida. Por fim, estávamos refletindo sobre nossas palavras e pensando se havia tanta firmeza em nossas vozes. Eu não quero ficar cambaleando, acreditei e acredito na nossa primeira prosa cotidiana. Creio em nossos sonhos diários.
Meus pés arrastavam no chão. E fui assim até a praça Rocha - com a coluna meio curvada e as mãos agarradas numa pequena parte do banco. 
Agradeci a carona. E ainda ficamos no ponto de ônibus conversando. 
O ônibus não passou. Peguei um táxi. 

domingo, 20 de março de 2011

DOMINGO = SAUDADE



Minha saudade se acalma ouvindo nossas músicas, aquelas que ouvimos todos os dias aí nessa terra iluminada
por nós mesmos. 
Eu sinto falta das nossas expressões, do nosso modo rasgado de dizer as coisas.
E não há língua mais bonita que a nossa, não há.
E não há língua mais dura, porque as dificuldades também se encontram nas palavras. 
Quero lembrar todos os dias desse nosso Brasil que sofre, mas que não perde o passo.
E tem uma palavra que é especial, SAUDADE.
Por que essa sim é uma palavra naturalmente brasileira. E se não for, quero que seja.

"Te echo de menos" BRASIL, ou melhor, SAUDADE Brasil. A segunda é melhor, porque minha boca
enche de orgulho! 

Para mim, o domingo continua vazio. Posso estar em qualquer país, domingo é dia de drama!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Uma lasquinha do meu livro


Queria me rasgar até não poder mais. Estou imóvel, não consigo fazer nada. O banheiro está longe, tudo está longe de mim. Não há pessoas nem baratas. Não escuto o barulho da vida. Tenho um caderno e uma caneta. Eu gosto de escrever. Tenho ciúmes das palavras, assim como aquele ciúme que sentia por... tenho cuidado com elas. Não vou escrever qualquer coisa. Que confusão. Não sei que dia cheguei, por que estou aqui. Que diabos. As janelas não querem abrir, elas não se movimentam. Que sufoco.
Lembro de uma festa, estavam todos fantasiados. Eu bebia e fumava incansavelmente. Nada me fazia parar. Aquelas máscaras rodavam. As pessoas estavam enlouquecidas ou era eu? Lembro que estava no banheiro com alguém. Não sei se era uma mulher, não recordo. Mas num estalo a porta se abriu, me vi no espelho. Depois sai dizendo que não havia feito nada, que estava apenas lá. Mas não adiantou, eu lembro de uma palavra. Verdade, verdade, verdade. Fiz alguma coisa, mas não lembro. E se eu descobrir o que aconteceu, posso entender por que estou aqui. E se não for isso... estou agoniada. Mas posso contar a minha história desde o começo. Talvez chegue nesse ponto e descubra por que estou aqui.

Nasci num desses hospitais. Minha mãe dizia que eu era feia pra burro. Tinha orelhas muito grandes, um nariz vermelho. E tenho certeza que cheguei a este mundo gripada e com febre. Minha boca era pequena, ela tinha um biquinho na parte superior um pouco maior que das outras crianças do hospital. A única coisa que salvava eram meus olhos verdes. Mas ninguém conseguia ve-los, porque eram pequeninos demais.
É muito dificil escrever. Não tenho ninguém para compartilhar e muito menos perguntar algo sobre minha infância. Será que escolhi estar aqui? Meu deus, estou aqui por que quero? Não seria capaz de isolar-me dessa maneira. Eu devo ter feito alguma coisa grave. Eu matei alguém. Agora esta explicado.
Estava no banheiro com uma mulher, matei essa mulher e sai dizendo que não tinha feito nada. Então é por isso que recordo da palavra verdade. Estavam todos me dizendo que a verdade seria o melhor caminho, que a mentira era um lugar sujo de se hospedar. Foi isso? Eu quero sair daqui, não consigo abrir as portas. Já sei, vou gritar, tenho que fazer barulho. Não adianta. Ninguém me escuta. Vou escrever uma carta e coloca-la embaixo da porta, alguem vai passar e ler. Perfeito.

Olá.
Não posso me identificar, porque não lembro o meu nome e muito menos minha fisionomia. Faz muito tempo que não olho no espelho. Alguém me colocou aqui, eu acho.
Não tenho um vocabúlario muito rico, então essa carta será bem simples. Por que estou falando isso.
Que confusão, é apenas uma carta de socorro, ok.
Vamos lá.
Não sei quantos dias estou aqui dentro. Acordei nesta cama e tudo está fechado. Também não sei se estou sonhando ou se essa é a minha realidade. Preciso que alguma alma de Deus me tire daqui.
Se você pegar essa carta avise alguém, chame qualquer pessoa.
Obrigada

terça-feira, 15 de março de 2011

Sonhei com o amor

Eu sonhei com o amor.
Ele estava na minha frente. 
Saímos de casa pela madrugada fria e caminhamos até o bosque.
Não senti dores fortes nas pernas porque passamos por ruas planas.
Sentamos num banquinho de madeira e acendemos duas velas, uma para
mim e outra para ele. Logo em seguida fumamos cigarros coloridos.
Falamos da vida, do ar que cheirava vida, da terra úmida que
pulsava vida.
Falamos da morte, queríamos morrer juntos. Eu e o amor.
Pedimos água e um vinho chileno. E para comer, pipoca.
Falamos também do vazio, de estar em outro lugar e sentir saudade de outro lugar.
Falamos de nossas roupas e como o frio nos deixa elegantes, ao mesmo tempo misteriosos.
Falamos de nossos pais, de como somos distantes de nossas famílias. E não sabemos quando vamos nos dar conta... não sabemos se vamos acordar um dia e sentir aquele estalo. Mas todos vão estar mortos por dentro. Ninguém vai querer o nosso despertar.
Falamos de sexo e das vezes que chorava por somente tocar.
E como esse tocar era significativo. Não era somente fazer, mas havia uma invasão que não suportava.
E o amor também me disse que essa sensação lhe invadia. 
Falamos do nada, falamos nada com nada.
Falamos das formigas que passavam na rolha caída no chão.
Vixi, falamos de tudo que não podemos enxergar. Mas se sabemos, então podemos enxergar. 
Terminamos o vinho e fomos embora. Eu e o amor.
Disse para ele: "para mim essa foi a verdadeira noite de amor"
Obrigada.


sábado, 12 de março de 2011

Todo cambia

Minha voz está diferente. 
Meu corpo e minha alma também.
Tenho saudade da minha língua, aquela que escutei quando sai da barriga de minha mãe. 
Quando falo espanhol pareço ser outra, e sou, porque se não for outra, não faz sentindo estar aqui.
Me sinto uma criança aprendendo a falar e se comunicar com outras.
Nos primeiros dias estava perdida, como um navio em alto mar sem direção, sem referências. Somente meu coração falava. 
 Depois, a cada segundo me sentia melhor e mais preparada para falar com alguém.
Não é fácil, tem que ter força. 
Mais do que nunca, agora sei que saber uma língua, seja ela qual for, nos transmite segurança.
Agora entendi a música "Língua" cantada por Gal Gosta - "a língua é minha pátria e eu não tenho pátria".
Minhas mudanças são sempre doloridas, mas eu sei que elas ficam tranquilas depois de um tempo. 
Estou feliz , em poucos dias conheci pessoas maravilhosas. 
Meu coração não se engana.
Aqui tem gente do mundo inteiro. Todos os dias brincamos uns com os outros.
E claro Maradona e Péle são os tops da lista. Ah, Messi também.
Mas tenho lá meus argumentos. São poucos, mas valem.
Quando estava no Hostel, tinha gente da França, Portugal, Chile, Inglaterra, Colômbia, Brasil, Itália. Uma mistura louca de culturas. 
E quando falo que sou brasileira, todos gostam. E dizem que querem conhecer o Brasil, o Brasil, o Brasil.
Brasil, meu Brasil brasileiro!






segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Um resumão

Cheguei em Foz do Iguaçu. 
O albergue é maravilhoso. 
Pra variar encontrei com duas meninas que moram em BH.
Pedi uma cerveja e escutei aquele sotaque singular.
Logo, sentei na mesa delas.
E uma delas disse: "ainda bem que vamos embora amanhã, porque se a gente
se juntar com vocês não vai prestar".
Tem uma cachorrinha aqui no Hostel que é linda.
E no quarto que estou tem duas australianas, ainda bem que uma delas
fala espanhol. Que sorte.
Amanhã vou para o Paraguay comprar minha Canon tão sonhada.
E depois que eu voltar vou para as cataratas.
Por enquanto é só.


FRASE DO DIA: NO BOTE PAPEL HIGIENICO EN EL INODORO, GRACIAS!

Partiu!

Senti um frio na barriga quando olhei minhas malas no corredor da casa.
Me deu vontade de vomitar. Aquele rato presente em um dos meus textos voltou. Ele até feriu meu estômago, mas agora de uma maneira saudável.
Sabe quando a gente vai fazer vestibular, apresentar um trabalho na escola,
ser entrevistado, encontrar o primeiro amor na praça, cantar uma música em
público, contar para um amigo que encontrou uma linda mulher. Pois é, viajar também provoca arrepios por dentro, porque aquele lugar que escolhemos tem o desconhecido, o lugar em que nunca passamos os pés.
Quero tanto minha liberdade, no entanto, tenho medo dela. E não encaro como
uma coisa ruim, e sim, como uma experiência.
Buscar a liberdade seja ela qual for nos trás experiência. Pra ser mais específica, a liberdade de cada um significa modos de vida, estilos de vida.
Viva a vida da forma que quiser, de maneira que te faça livre. Busque o que quiser, você tem direito, eu tenho, todos nós temos.

Queria me dedicar a esse texto, mas são tantas emoções! 
Penso que as palavras, nesse caso, não dariam conta. Não vou ser
injusta com elas.
#partiu Foz do Iguaçu!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um pouco de sufoco não faz mal

Meu deus, deus meu. Tem que ter força até para arrumar toda a papelada exigida pelo consulado, e olha que a Argentina está aqui no nosso nariz.
Autentica de um lado, autentica de outro. Por que vocês não me autenticam de uma vez? 
Estou precisando de umas carimbadas na bunda (perdi minha identidade "ayer", já estou na trigésima via).
Bom, mas eu entendo essas burocracias. Nenhum governo iria deixar qualquer pessoa entrar em seu país...??????!
Nova esfora, aos poucos tudo vai se ajeitando.

Esses dias um colombiano me ligou. GENTE, eu não entendi nada. Uma coisa é você ver a boca da outra pessoa remexendo, outra é você só ouvir. Eu tentei conversar, mas não deu. Eu me esforcei bastante e disse pra ele:
- mas despácio, por favor. 
Não adiantou.
A única coisa que fiz foi soltar uma risada, ainda bem que ele me acompanhou e deu aquela gargalhada. Por fim, o crédito dele acabou.
Resultado, nada foi decidido.
Fui direto para uma livraria, comprei um dicionário de bolso. É bem simples, sei até pedir uma carne bem passada ---> "bien hecho".
Está chegando o dia, é por pouco tempo, eu sei. Mas é muito difícil "deixar" os amigos, a família e a GALEX (minha república em Mariana) como se diz a HAPPY HOUR (minha república também).
Aprendi com a minha psicóloga e também com a vida - temos que nos despreender, nos soltar como nuvens, mesmo que seja por pouco tempo.



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Querido diário

Olá. Chegou bem? Espero que sim.
O filme é genial. Posso analisá-lo de várias formas, daquele jeito
acadêmico de ser, mas prefiro enxergar de uma maneira particular. Não que as teorias estejam fora de mim. Parece contraditório, mas eu me entendo.
Será que depois desse filme o cisne negro nascerá num ímpeto?
Talvez seja o começo...
Lá no fundo ele quer crescer, cada parte me tomando sem sentido, de forma desigual. 
Enfim...
Estou falando muito de mim.
Me conta como foi a viagem. Alguém roncou ou tentou passar a mão em suas pernas?
Esse filme me marcou, acho que pela fase que estou passando, ou melhor,  a que vou viver  no próximo domingo. 
Nunca imaginei ir pra Foz do Iguaçu ver as cataratas, engraçado. Já pensei no Cristo Redentor, na lagoa da Pampulha, na Serra da Canastra, mas nas cataratas...
E de repente a vida me leva, a vida não, eu... os dois, né!
A vida, eu, o universo.
Meu diário latino começa hoje, dia 18 de fevereiro de 2011.
Mas ainda estou em BH.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

"Lá tem Jesus que está de costas"


Estava no Rio de Janeiro desde o dia vinte e sete de dezembro, fiquei muitos dias em terras “joaninas cariocas”, não é pra menos, a cidade nos abraça e nós a abraçamos.
 Para além dos mares de morros, dos corpos esculturais, da pele bronzeada, do Cristo Redentor, dos prédios com janelas gigantes, das ruas largas que lembram Paris, outro lado da moeda pulsa por socorro e atenção. Essa outra história não é aquela contada pela Rede Globo, pelo contrário, a rua não camufla nada e muito menos esconde a fome estampada nos olhares de cada brasileiro. O cenário é triste. Sei que em qualquer outra cidade, seja ela pequena ou grande essa miséria aparece, mas o Rio de Janeiro tem algo diferente, talvez seja pela tamanha discrepância entre as pessoas, seja ela qual for, financeira, social, cultural.
Alguém precisa enxergar essas pessoas que vivem a saltar em nossas mãos quando estamos comendo um salgado ou tomando um refrigerante. Essa gente é a gente.
Não basta comprar comida, jogar moedas dentro do chapéu e nem dar metade da sua coca-cola. Essas pessoas precisam ser vistas mesmo que imundas, elas querem falar o nome, contar suas histórias de vida, seus romances e tragédias. Você faz idéia da dimensão das palavras, do quanto elas podem faze sorrir?
Não estou querendo salvar o mundo, até porque incansavelmente vou repetir “cada lugar é a sua maneira o mundo”. O mundo é o Rio de Janeiro, a Serra do Salitre, o Haiti ou Nova York.  Nossa luta precisa começar junto com o outro que está ao seu lado.
Dia e noite ficávamos nas ruas perambulando por entre os bairros, baladas, praias e rodas de samba. Em Ipanema, Carol – uma amiga transcendental! - queria comprar cigarros, pra variar eu também. Andamos umas três quadras e encontramos, já era tarde. Numa das esquinas um dos milhões de invisíveis pediu a nossa ajuda, ele queria comer. Enquanto a Carol comprava um lanche para ele, sentei na sua casa – um pedaço de papelão. Fiquei sabendo em poucos minutos que sua mãe tinha morrido a pouco tempo, que seu irmão morava em Nova Iguaçu, mas ele nunca conseguia chegar até lá porque era raro alguém dar dinheiro e muitos menos sentar ao seu lado. No final disse que estava em Nova Iguaçu também.
Quem sabe a gente não se encontra por lá?! Ele respondeu: quem sabe... ou não.
Somos como eles, temos apenas realidades distintas. Mas isso não é motivo de passar sem olhar, perguntar o nome, de iniciar um diálogo. Cada um tem o seu tempo, eu sei que eu o meu já começou.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Imagina - já é Natal

De longe enxergamos aquelas bolas coloridas, parecem flutuar nas paredes, árvores e tetos. Elas avisam, está chegando o grande e singelo dia, o Natal. Os comerciantes apostam nelas. Todos os anos elas nascem mais cedo, daqui a pouco vamos colocá-las para fora em abril ou junho, quem sabe. 
Tem gente que não gosta de Natal, acha cafona. 
Tem gente que adora porque todos se amam, pelo menos nesse dia!
Outros nem pensam nisso.
Elas continuam lá, paradas no tempo. Só nós podemos fazê-las nascer e morrer. 
Ainda bem que algumas famílias lembram-se delas, são tão delicadas. Enquanto empurramos comida abaixo, elas nos observam. 
Elas se alimentam também de luzes, são suas amigas para sempre. O papai noel também faz companhia e por último, as estrelas. 
A árvore aqui é verde, mas tem bola rosa, roxa, e prateada. A sua tem que cor?